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Vou contar-vos uma história ao mesmo tempo que desmonto e desminto o mito de “tens de ser especialista para ter sucesso”

Primeiro que tudo desafio-te a perguntares-te: Identificas-te como especialista? ,ou, És como eu que durante anos me senti “anormal” por não querer escolher apenas uma área de especialização?

Quando tinha 12 anos decidi que queria ir para Gestão…mas não só gestão.

Foquei-me na área de gestão para a evolução dos meus estudos secundários e superiores, mas assim que comecei a trabalhar (na minha área) confrontei-me com a necessidade de exercer em mais do que gestão. Mesmo dentro da empresa onde trabalhava e sendo responsável por uma panóplia de atividades, o facto de haver outros interesses em mim, não usados ou desenvolvidos, fazia-me não sentir plenamente realizada.

Durante anos debati-me com o facto de “ter algum problema” por ser incapaz de me decidir numa única área que me realizasse completamente.

De onde vem esta noção de que “temos” de nos especializar numa só área?

A sociedade ao longo das últimas décadas tem-se segregado cada vez mais em sectores, áreas de especialização e grupos de foco. A nossa educação é um derivado dessa mesma segregação. A famosa pergunta do “o que queres ser quando cresceres” muitas vezes é seguida por “mas só podes escolher um”… e isso é tanto uma falácia como um problema. Torna-se então fulcral não só compreender o “porquê” da nossa sociedade ser assim, mas aceitar que nós, quando não nos integramos nesta narrativa especialista, não estamos errados, nem temos nenhum problema. És simplesmente diferente do que foi normalizado nesta época moderna, e nisso não há problema, só muitas oportunidades.

Eu sou um “canivete suíço” e tu? 

Como podes ter a certeza que tendes mais para o multipotencialismo (ou a multiespecialização) do que para o especialismo? Não conseguir decidir por uma área profissional especifica (e sim ter várias de interesse) é indicação de multipotencialismo, mas se nem numa consegues decidir, aí já é indicador de toda uma outra história… Todos temos vários e variados interesses, mas nem todos somos multipotencialistas. Queres trabalhar na área de medicina e gostar de pintar aos fins-de-semana, não significa à priori que não é especialista. A diferença está nas áreas que queres incluir no teu processo de trabalho e/ou criação. E como tal, não te é suficiente tê-las como hobbies ou atividades de recriação.

Há valor em ser-se Multipotencialista? 

O canivete é um objeto que ilustra bem a ideia de como a multipotencialidade não só é útil, como é necessária! É um conjunto de ferramentas com diferentes funcionalidades, que por si só não serão a melhor opção. A tesoura de um canivete certamente não será a melhor opção para cortar papel. A chave de parafusos não será a mais confortável ferramenta para construir um armário (mesmo que seja do ikeia). A questão é que, o canivete como conjunto está a usar as sinergias das várias funcionalidades dos diversos objetos. É a melhor resposta ao nicho de necessidade de ter, condicionado ao espaço e conveniência do teu bolso, a capacidade de conseguires resolver vários problemas independentemente das circunstâncias.
O canivete é o multipotencialista tangível.
Desmente-te, portanto, da ideia, que muitos têm (incluindo a sociedade), de que, ao especializares-te em várias áreas não estás a ser útil em nenhuma delas. Não! És útil, o mais útil, para algo muito específico, um nicho onde és a melhor opção porque estás a tratar de sinergias de multidisciplinariedades.
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