Select Page
O dinheiro é o foco central da nossa vida adulta, e até mesmo o foco da nossa formação/crescimento, uma vez que é considerado como consequência final de um percurso socialmente recomendado. Quer isto dizer que, por norma, somos incentivados a “ser boa pessoa”, “ter boas notas”, “ir para uma boa faculdade”, para “conseguir um bom emprego” e com isso adquirir o tão desejado sucesso e dinheiro, que em última análise nos potenciará a ser felizes.

Significa isto que ter dinheiro será considerado como sinónimo de ter um bom lifestyle

(pois podes aproveitar mais do que  a sociedade oferece em termos der produtos e serviços); ter saúde (pois a cura tem por norma um custo); ter posses materiais (que são consideradas como necessárias para nos sentirmos satisfeitos); etc… Uma vez que é a nossa moeda de troca, o dinheiro torna-se sinónimo de coisas e as coisas sinónimo de segurança. Pensa numa casa, numa cama, comida… são tudo “coisas” essenciais à nossa base de necessidades fisiológicas e de segurança. Assim, é criada a premissa de que quanta mais moeda de troca tens, mais seguro te sentes porque mais liberdade tens de escolha. Mas isto não é necessariamente verdade. Nem dinheiro equivale a liberdade, nem dinheiro equivale a segurança! 

Começa por perceber que Dinheiro não é a mesma coisa que Riqueza.

O Dinheiro pode estar representado em numerário, mas também em instrumentos financeiros, metais preciosos, capitais imobiliários, etc. Dinheiro não é sinónimo de Segurança prolongada. Não é por teres milhões neste momento que estás seguro num futuro vindouro, em especial se esses milhões são relativos ao teu emprego por conta de outrem ou estão adjacentes ao estado do mercado e/ou situação socioeconómica global. O dinheiro vai assegurar-te a base das tuas necessidades neste momento específico apenas.

O Dinheiro não é também sinónimo de Felicidade.

Se tu estás com fome, não estás a pensar em como podes ser feliz, realizado ou no teu impacto no mundo, estás simplesmente com fome. Se estás com sono, queres dormir, e não tens o foco em como te superar e contribuir para a realização do mundo. O Maslow expressou isto bem através da sua pirâmide da hierarquia das necessidades.  Por muito que seja preferível ser infeliz rico a ser infeliz pobre, não é certo que ser rico é igual a ser feliz, embora te permita direcionar a tua energia e pensamento para outros níveis (superiores) da pirâmide das necessidades.
Tu podes ser feliz quer sejas rico quer sejas pobre. Da mesma forma, podes ser infeliz quer sejas pobre, quer sejas rico. As boas notícias? É um espectro! Há um meio para o espectro da felicidade (tanto como para o espectro da riqueza, a classe média). É nesta média (ou moda) que a maior parte de nós vivemos e onde nos condicionamos à ligação do dinheiro e da felicidade.

A Classe Média da Felicidade.

A Classe média da felicidade é quando não estás plenamente feliz, mas a tua infelicidade também não é assim tão má no “grand scheme of things”. É aquela vida em que as necessidades base estão asseguradas, e como tal não há pressão constante na procura de alimento, aquecimento ou cobertura, mas ao mesmo tempo estás preso ou desorientado, o que te impede de estar feliz. Como é que isto de traduz em problemas da vida média mundana? É a falta de propósito orientador de vida, a relação amorosa que já não faz sentido, o trabalho que pesa mais do que realiza, a falta de sentido na ação, reação, relação ou sentimento. Esta situação muitas vezes é colocada em standby porque existe ao mesmo tempo a consciência de que “não sou feliz”, mas não sou assim tão infeliz comparando com os estados e situações de vida das pessoas que têm de se defrontar com guerras, agressões físicas e sexuais, condicionamentos de direitos humanos e traumas de “maior magnitude”. É o “não me sinto bem mas talvez não me devesse queixar” do pensamento humano.

O Problema de não confrontar e agir sobre a mediana da felicidade socialmente aceitável?

Quando estás na média de um espectro que vai do positivo ao negativo, duas coisas acontecem: ou ages e te aproximas mais do positivo, ou páras e descais mais para o negativo. Foi isso que me aconteceu: quanto estava na mediana e deixei de agir, descai para um sítio da minha vida onde as minhas reações e pensamentos eram cada vez mais negativas e autodestrutivas.
É como uma espiral…ou vais caindo numa espiral de caos e destruição ou ascendes a posições de superação e realização.
Se estás verdadeiramente na mediana, podes ter a certeza que não é mais dinheiro que te fará feliz. Ou seja, se tens já comida na mesa, um sitio onde dormir, saúde, meios de locomoção, formas de lazer… não é ter mais moeda de troca para essas mesmas coisas que vai verdadeiramente impactar o teu nível de felicidade. O que fazer então? A tua concentração não deve estar na obtenção de dinheiro e os seus sucessores tangíveis, mas sim na busca dessa felicidade intrinsecamente.

Quanto dinheiro é que realmente necessitas?

Se ainda não te consideras numa mediana, quanto dinheiro é necessário para chegares lá? Se realmente precisas de moeda de troca para satisfazer as tuas necessidades base, começa por identificar quanto dessa moeda é realmente necessária. A consequência de não o fazeres, de simplesmente te focares em trocar o teu tempo e trabalho por dinheiro sem objetivo específico, é entrares numa espiral descontrolada de querer sempre mais e mais, sem propósito, direção ou intenção que te sirva.

Porquê procurar a felicidade só depois da segurança monetária?

Acaba por não ser tão importante o porquê desta questão… esse pode ser rastreado à nossa cultura e socialização ocidental. Mas é importante e até essencial perceber como podemos transformar, ou até reverter, o foco do “primeiro dinheiro, depois felicidade” para: O que posso fazer agora para me sentir feliz neste momento?
É importante compreender que sucesso não está definido como “ter imenso dinheiro, um cargo de chefia e muita responsabilidade corporativa”, como parece que muita gente acha que está. O sucesso é intrínseco e individual a cada um. O que para mim é sucesso não será, por norma, exatamente a mesma coisa que para ti significa sucesso.
Uma pesquisa na internet consegue-te fornecer com vários exemplos de gente considerada bem sucedida, pelas norma modernas ocidentais, a falar de como os problemas de antes são simplesmente ampliados com a riqueza e ascensão laboral (e não desaparecem, como diz a falácia social implementada). Tal como o teu sucesso te é individual, também o é a tua raiz da felicidade.

Se a felicidade não vem do dinheiro, vem de onde então?

Que é como quem pergunta: Por onde começar então quando queremos procurar a felicidade, dada a nossa situação mediana no espectro?
Quando não sabes para onde te virar, vira-te para dentro!
A tua busca de felicidade deve começar no autoconhecimento. Vem do teu propósito e da tua ação propositada constante. De tu viveres autêntica e verdadeiramente sem deveres que te pesem ou sonhos por realizar. De adquirires as capacidades necessárias a viveres no mundo que tens da melhor forma possível e sempre numa linha que te faça 100% sentido.

Em suma:

Há coisas que não custam dinheiro. Há coisas que nunca conseguirás obter ou alcançar se o teu foco se mantiver no dinheiro e na ascensão social. Há coisas que o dinheiro incentiva positivamente e há coisas que simplesmente incrementa (positiva ou negativamente). E se já tens dinheiro suficiente para não te preocupar com a tua subsistência, porque não focar na procura da verdadeira felicidade?
Vê a transmissão AQUI